quarta-feira, agosto 01, 2007

Oração.

Você faz uma prece ao levantar ou ao se deitar?
Já fez uma prece a si mesmo?
Olha só:
Que eu me permita olhar, escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê a
admiração que eles me têm
e não a inveja que penso que têm.
Permitir sempre escutar
aquilo que eu não
tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que
nascem em mim e por
mim e comigo morrem
por eu não os conhecer.
Então, que eu possa viver
os sonhos possíveis e os impossíveis;
Aqueles que morrem e ressuscitam:
A cada novo fruto,
A cada nova flor,
A cada novo calor,
A cada nova geada,
A cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar,
Sonhar o mar,
Sonhar o amar,
Sonhar o amalgamar.
Que eu possa substituir
minhas palavras pelo toque,
pelo sentir, pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental
(aquela que a alma cria e que só ela, ouve e só ela, responde).
Que eu saiba reproduzir na
alma a imagem que entra
pelos meus olhos fazendo-me
parte suprema da natureza,
criando-me e recriando-me
a cada instante.
Que eu possa chorar menos
de tristeza e mais
de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam
minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos,
mas saiba recuperar meus
destinos com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
que eu não tenha medo de meus medos.
Que eu adormeça toda vez que
for derramar lágrimas inúteis e
desperte com o coração
cheio de esperanças.
Que eu faça de mim uma
pessoa serena dentro de minha
própria turbulência, sábio(a) dentro
de meus limites pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas
tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são
pequenas minhas grandezas e
o quanto é valiosa minha pequenez).
Permita-me ensinar o pouco
que sei e aprender
o muito que não sei,
traduzir o que os mestres
ensinaram e compreender a alegria
com que os simples
traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente o ser;
o ser por si só, por mais nada
que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de
quem partiu e aceitar
a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando
recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo
quando não recebo gentilezas.
E... que eu jamais fique só,
mesmo quando eu me queira só.

(Texto de Oswaldo Antônio Begiato)
**
Beijos carinhosos de sempre.

Um comentário:

  1. Adorei, como sempre uma ótima colocação. Beijos

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