segunda-feira, outubro 16, 2006

Crônica do momento...

Uma crônica sobre o amor..
Por Martha Medeiros.
Sábado, filmezinho no DVD: “Alfie”, com o feioso Jude Law.
Não cheguei a assistir à primeira versão, com Michael Caine,
que todos dizem ser melhor, pra variar.
O filme conta a história de um don Juan que dorme cada noite
numa cama e cujo projeto de vida é este mesmo:
trocar de parceiras até a exaustão pra não morrer de tédio.
Aí, claro, vão acontecendo coisas aqui e ali,
até que ele descobre... vê se adivinha:
que uma vida não tem sentido sem amor.

Acabou o filme, fui dormir. Quando acordei no domingo,
resolvi passar o dia em companhia de Gabriel García Márquez
e seu poético “Memórias de minhas putas tristes”,
um livro lindamente escrito e onde encontra-se a seguinte frase:
“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.
Salve a literatura. Mas é exatamente o que o filmeco-sessão-da-tarde “Alfie”
queria contar, e contou à sua maneira.

Seja através de clichês cinematográficos ou de prosa
da mais alta qualidade, a verdade universal é
que só o amor nos humaniza de fato.
Pode-se gostar ou não desta idéia,
ela pode ser claustrofóbica para uns
e libertária para outros,
mas o mundo dá voltas e voltas
e chega sempre neste ponto, o de que o amor é mais
importante que o dinheiro, que o sexo, que a beleza,
ainda que tudo isso seja ótimo também.
Mesmo com uma vida recheada de acontecimentos,
se estivermos ocos, não veremos muita graça em nada.
Poderemos até parecer independentes, inteligentes,
modernos, sofisticados... mas só o amor responde
às nossas indagações — indagações que podem também
ser divertidas, inspiradoras, transgressoras, blá, blá, blá...
mas ainda irrespondíveis sem amor.
Sem amor, neca.
Sem amor, babaus.
Sem amor, o resto é consolo.

Vale amor por um cachorro,
por um projeto,
por si mesmo?
Prefiro acreditar que sim,
que o amor sem conotação romântica
também pode justificar uma existência,
que ele pode tornar uma pessoa,
senão plena, ao menos leve e alegre,
sem necessidade de buscas intermináveis.
Mas não é isso que nos dizem livros,
filmes, músicas, poemas.
Se não amamos alguém, é uma vida vivida sem integralidade.
Pode até ser uma vida boa,
mas não uma vida que valha a pena ser contada.

Diante desta sentença, fazer o quê:
é ele que desejamos, é por ele que procuramos,
é nele que queremos tropeçar,
nem que seja aos 90 anos,
nem que seja quando estivermos secos depois de fazer tanta burrada,
nem que seja para durar três dias, nem que seja para nos fazer sofrer,
nem que nos arrebentemos, como tantos se arrebentam em seu nome.
Diz o personagem de García Márquez, torturado pelo amor:
“Não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego”.
Quem mais nos colocaria assim de joelhos?
Sem amor, nos resta a paz.
Porém uma paz sem gosto.
**
Na verdade, a vida sem amor, é uma vida sem graça,
sem motivos pra sonhar, sem aquele algo mais
que faz a diferença em nossas vidas.
**
Beijos carinhoso de sempre !!!









Um comentário:

  1. E será que ainda existe gente com medo de amar???
    Mário

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